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Despertando sonhos

Por: Patrícia Pessoa


Escrevo de Londres, cidade onde moro há pouco mais de um ano. Acabo de concluir o Master of Laws (LLM) na London School of Economics and Political Science e me preparo para auxiliar a professora Dr. Julia Black na pesquisa para seu livro sobre regulação da série “Law in context”. A Escola de Formação (EF) e a Sociedade Brasileira de Direito Público (sbdp) fazem parte da minha experiência acadêmica internacional em três etapas.

A primeira delas foi ainda no primeiro ano da faculdade de direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, quando participei da turma de 1999 da EF. A metodologia participativa, os debates provocativos e os assuntos atuais, que exigiam dos participantes visão multidisciplinar, fizeram da EF verdadeira ilha de primor acadêmico. Se na faculdade questionava o meu interesse pelo direito, na sbdp despertei o sonho de me aprofundar no estudo jurídico.

A segunda e terceira etapas de influência são mais recentes. Durante o LLM, segunda etapa, por vezes, recordei ‘aflições’ vivenciadas durante o ano na EF. Isto me fez acreditar que não só estava no caminho certo, como também superaria aquelas dificuldades. A experiência acadêmica acumulada na EF contribuiu para vencer as barreiras metodológicas do sistema inglês e a complexidade dos assuntos estudados.

A terceira etapa é o momento presente. Com o fim do curso e o distanciamento histórico necessário, percebo o quão fundamental foi o ano dividido entre ‘angústias’ jurídicas e uma nova visão do direito. Tal processo de aprendizagem é determinante na identificação de pessoas capacitadas para desenvolver raciocínio jurídico independente, quer na área de pesquisa acadêmica, quer como profissional tradicional do direito. Na medida em que novas turmas são formadas, a EF será reconhecida como núcleo de estudantes dotados de autonomia intelectual.

Por acreditar nessa proposta, orgulho-me de fazer parte desse sonho e tomo a liberdade de me arriscar com meus próprios sonhos.