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Cursar para pensar

Por: Adriana de Moraes Vojvodic


O que muda após um ano de Escola de Formação? O que a Escola de Formação trouxe para minha vida?

Para tentar responder a essas perguntas, eu poderia aqui descrever, ainda que em poucas palavras, uma experiência que se construiu ao longo de todo um ano. Mas isso não é tarefa das mais fáceis. São tantos os modos de se encarar a Escola de Formação, tantos os predicados que vêm à mente, que junto com eles também vem a certeza de que há necessidade de escolher apenas alguns para aqui comentar, ainda que, assim, muitos outros fiquem de fora.

Logo no início do ano, lembro-me de uma satisfação: fui selecionada! E na primeira aula, ao conhecer novos colegas (que haveriam de se tornar novos amigos), de diferentes idades, vindos de diversas faculdades, e todos com distintas idéias e expectativas, já poderia dizer que aquele seria um ano incomum.
Também nesse tempo, surgia uma dúvida: o que esperar de um curso que, pelo que me parecia na época, não dava tanta relevância para o estágio de conhecimento em que se encontravam os alunos? Como seria possível assistirem juntos a uma mesma aula, alunos de 2º, 3º, 4º e 5º anos de uma faculdade de direito?

Deixei a dúvida, ao menos naquele momento, um pouco de lado. Talvez, esperando um pouco, eu mesma conseguiria respondê-la.
E, de fato, aos poucos comecei a perceber que ela ia se dissipando. Isso porque o desenvolvimento dos debates, a troca de idéias, e o comprometimento de todos foi tornando cada vez mais claro o sentido daquilo que se pretendia construir ao longo desse ano de curso.

Na Escola de Formação não se ensinam conceitos, institutos ou teorias. Ainda que esses elementos sejam objeto das discussões, o que realmente aprendi na Escola de Formação foi um novo modo de pensar, e isso independe do ano da faculdade que se está cursando.

A partir da constatação de que o conhecimento do direito vai muito além da conceituação teórica de infindáveis institutos e instrumentos, abre-se caminho à produção de novas idéias, ao exercício da problematização, à busca de relacionar o direito a outras áreas de estudo, ao fomento à capacidade de construir diferentes interpretações e à necessidade constante de determinar o porquê, as razões que estão por trás daquilo que se afirma ou se contradiz.

Olhando para esses grandes horizontes que se ampliam ante o aluno da Escola de Formação, percebo que talvez seja essa a forma de se construirem verdadeiros acadêmicos: valorizar a capacidade de questionar e, ao mesmo tempo, oferecer e apontar meios para a solução desses questionamentos, sem impor-lhes escolhas, garantindo, de tal maneira, sua independência.

Esse, sem dúvidas é o diferencial que se apresenta. É o que torna a Escola de Formação um espaço tão caro a todos aqueles que têm o privilégio de ali buscar conhecimento e o que permite que cada um faça da Escola de Formação uma experiência muito particular de passar a pensar por conta própria. Certamente esta é uma mudança que levarei comigo.